Editorial Editorial

Coronavírus e as eleições

 

O impacto da crise sanitária, e as medidas necessárias para diminuir o contágio do vírus, como a proibição de aglomerações, tendem a afetar um processo que normalmente se baseia em ações presenciais. É o caso de comícios, atos públicos e a campanha corpo a corpo, nos quais abunda o tipo de contato físico que hoje deve ser evitado, como apertos de mão e abraços. Esse cenário já foi visto nas convenções partidárias, que definiram candidatos e coligações. Iniciado em 31 de agosto, o processo de definição de nomes se encerrou na quarta-feira (16). As siglas priorizaram virtuais para evitar aglomerações. Os partidos que promoveram ações presenciais tentaram restringir a presença de filiados ao mínimo possível. 

As determinações agora visam o início oficial da campanha eleitoral em 27 de setembro. Elas incluem: reuniões presenciais, calcular o número de pessoas presentes de acordo com a capacidade da sala, de modo a permitir distanciamento mínimo de 1 metro entre as pessoas. Evitar promover eventos com grande número de pessoas, em eventos de campanha, utilizar espaços amplos e abertos para contato com outras pessoas e evitar aglomerações.  A covid-19 matou 135 mil pessoas no país até sexta-feira (18).

Ainda que esteja em desaceleração, a pandemia continua a registrar um número diário alto de vítimas e novos casos no país. Eleições municipais são pautadas por problemas locais e, nas cidades, o avanço da doença restringiu a circulação de pessoas, interrompeu aulas, afetou a economia e gerou desemprego. Com as restrições físicas, candidatos e partidos devem migrar suas campanhas para a internet e explorar um campo que foi decisivo nas eleições presidenciais de 2018.

A campanha deve ter um elemento digital fundamental, onde quem está à frente nas redes terá vantagem na disputa, com destaque para as lives, assembleias e reuniões virtuais, entendemos que ainda não é o momento das pessoas estarem circulando na rua, ainda mais recebendo material repassado de mão em mão. Vamos diminuir a quantidade de material físico e concentrar na divulgação de material em formato digital.

Tem mais um complicador: A possibilidade de que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entre em vigor já nas eleições municipais deste ano tem tirado o sono de candidatos e advogados de partidos políticos e causado insegurança nas campanhas.

Entre outros pontos, a nova norma prevê que um candidato só poderá enviar material de campanha após prévia autorização por escrito do eleitor que receberá a propaganda em sua casa, por SMS de celular ou aplicativos de mensagens, pelas redes sociais ou em qualquer outro meio.

Como a pandemia do coronavírus impede que candidatos invistam como antes no corpo a corpo com eleitores, a campanha virtual tornou-se ainda mais essencial para angariar votos e difundir programas de governo.