Editorial Editorial

  • Laranjas, laranjas, laranjas...

     

    O caso das laranjas do PSL que iniciou com investigação em Minas Gerais e agora chega a Pernambuco atingindo em cheio o Presidente do partido Luciano Bivar, desafeto do Presidente Jair Bolsonaro e das cidades de Sombrio e Valença na Bahia, mostra que o jeitinho brasileiro utilizado pelos partidos para completar a quota de 30% das candidaturas reservadas para as mulheres deve ser levada a sério.

    O que se vê é a Justiça Eleitoral investigando e cassando candidaturas na primeira instância e os TREs e TSE punindo quem simula cumprir a Lei Eleitoral e simplesmente cumpre a formalidade.

    Aqui em Sombrio ficou fartamente comprovado pelos depoimentos das “candidatas Laranjas” com uma delas tendo sua assinatura falsificada na hora de fazer o registro da candidatura, segundo seu depoimento à Justiça Eleitoral, anexado no processo. 

    Com certeza para 2020 alguns partidos vão manter a prática de utilizar candidatas laranjas. No Congresso de Prefeitos 2019, promovido pela Federação Catarinense de Municípios (FECAM) no período de 24 a 26 de setembro, em São José/SC, Alessandro Balbi Abreu alertou que para a próxima eleição a tendência é a Justiça eleitoral passar um pente fino e acompanhar de perto as candidaturas femininas, o que significa que se as mulheres não trabalharem na busca de votos e forem votadas, pode acontecer como em Sombrio e Valença na Bahia. 

    Hoje em SC temos três Deputadas Federais, cinco Deputadas Estaduais, 23 Prefeitas e 22 Vice-prefeitas e 437 vereadoras eleitas em 2016. A prova do “laranjal” é que dos candidatos com zero voto as mulheres foram 153 (92%) e os homens - 12 (8%) num total de 165.

    Entre um e cinco votos: Mulheres - 567 (88%) e Homens - 68 (12%), num total – 635.

    O lado bom é as decisões vão fazer os partidos abrirem espaço para as mulheres participarem mais da política partidária, sob pena de terem os eleitos cassados.

    No momento em que se critica muito a “velha política” a maior participação das mulheres tende a oxigenar as estruturas partidárias apesar de sabermos que elas têm uma dupla jornada de trabalho e a sua participação na política vai acrescentar mais uma jornada.